Autor: Markus Zusak
Editora: Bertrand
Número de páginas: 176
Classificação: 3,5/5
Minha Opinião:
Markus Suzak é um escritor australiano, famoso pelo best-seller A menina que roubava livros, e Eu sou o mensageiro. O Azarão, é o primeiro livro escrito pelo autor aos 16 anos, e muitos acreditam se tratar de uma obra autobiográfica.
"Num instante, pensei que era estranho nunca ter rezado por mim mesmo. Será que eu não tinha salvação? Será que era tão sujo que não merecia uma oração? Talvez. Pode ser." (pág.96)
Cameron Wolfe é um perdedor. Vivendo nas sombras de seu irmão Ruben, ambos passam seu tempo sem fazer nada de significativo, brigando entre si e planejando roubos que nunca levam pra frente. Sua única certeza é que provavelmente terá cogumelos preparados pela mãe para o jantar.
Eu não havia lido nada do autor até o momento, apenas uma tentativa frustrada de iniciar A menina que roubava livros, que eu logo abandonei após a página 20. Fãs do autor, não me matem, mas achei a escrita um tanto confusa e acabei não levando em frente pois não estava com "cabeça" para ler algo complexo naquele momento.
Estou muito contente em ter lido o livro de estreia, antes dos títulos que tornaram Zusak em um célebre autor no Brasil. O bom de não ter lido seus outros romances, é que não tive nenhum parâmetro para comparar, e sendo assim li sem nenhuma expectativa. Sua narrativa definitivamente me conquistou. O Azarão possui uma escrita crua, sem rodeios, ao mesmo tempo em que perscruta com habilidade a mente do nosso protagonista.
Cameron está naquela fase onde os adolescentes de 15 anos procuram descobrir seu lugar neste mundo, ao mesmo tempo em que não medem as consequências de seus atos, ou quando o fazem, se arrependem tardiamente de suas ações. E é justamente isto que o autor recria: ele dá voz aos pensamentos confusos e túrbidos de Cameron, que está começando a assimilar o processo de amadurecimento pelo qual está passando.
O personagem principal tem um quê de inocência que me deixou comovida. Se por um lado ele parece totalmente consciente da vergonha que sua mãe, pai e irmão mais velho sentem pelas "burradas" cometidas, por outro lado ele segue instintivamente suas aspirações para "tomar jeito" e deixar o comportamento incorrígivel para trás, admitindo que precisa "crescer".
"Jurei que, se um dia eu tivesse uma namorada, eu a trataria direito e nunca seria mau nem safado com ela, nem a magoaria. Nunca. Jurei e tinha toda a confiança do mundo de que manteria a promessa." (pág.43)No meio de seus devaneios juvenis, Cameron também nos revela seus sonhos, alguns sem pé nem cabeça, e outros com significado que só ele mesmo entende. Achei muito interessante essa abordagem, pois nos remete ao turbilhão de sensações vividas pelo protagonista.
E é claro que tem uma menina (sempre tem), que chama a atenção de Cameron, e estimula sua mudança de comportamento. Não espere um romance ultra elaborado. A aproximação entre eles é impulsiva, e eu diria até primitiva por parte dele. Mas o desfecho nos dá um gostinho do que virá no próximo livro já lançado no Brasil pela Editora Bertrand, entitulado como Bons de Briga.
O Azarão é uma deliciosa estreia, combinando uma narrativa poética e singela que retrata de forma eloquente as dúvidas, inseguranças e ambições que afligem todos os adolescentes.










